msn brasil

Ibope: Dilma venceria no 1º turno se eleição fosse hoje. Só que não é! Ou: Sinal amarelo para a petista!

O Ibope divulgou uma nova pesquisa eleitoral nesta quinta-feira. A presidente Dilma Rousseff, do PT, pode comemorar? Até pode. Mas com muita cautela. Se a eleição fosse hoje, ela ainda venceria no primeiro turno. Por que, então, há motivos para preocupação?
Bem, em primeiro lugar, porque a eleição não é hoje; em segundo lugar, só que mais importante, porque a pesquisa captou uma enorme insatisfação do eleitorado com o governo. Vamos ver. No cenário mais provável da disputa, Dilma aparece com 43% dos votos, contra apenas 15% de Aécio Neves, do PSDB, e 7% de Eduardo Campos, do PSB. Se Marina Silva fosse a candidata em lugar de Campos, a petista venceria no primeiro turno do mesmo jeito: ficaria com 41%; o tucano teria 14%, e Marina, que já chegou a marcar 21%, aparece agora com apenas 12%. Num eventual segundo turno, Dilma venceria Aécio por 47% a 20%; Marina, por 45% a 21% e Campos por 47% a 16% (veja quadro publicado pelo Estadão Online).
Pesquisa Estadão Online
Até aqui, como percebem os leitores, tudo parece um mar de rosas para Dilma Rousseff. Ocorre que a presidente tem dois complicadores bastante sérios pela frente, que podem encher de esperança os corações oposicionistas. Prestem muita atenção ao primeiro.
Nada menos de 64% dos que responderam à pesquisa dizem que o próximo presidente tem de “mudar totalmente” ou “mudar muita coisa” na gestão. E agora o fator que deve deixar Dilma assustada: entre esses que querem mudanças, só 27% esperam que elas aconteçam com a própria Dilma. Nada menos de 63% querem mudar tanto o governo como a governante.
Então vamos fazer uma continha: de cada 100 pessoas, 64 querem mudar tudo ou muita coisa. Dessas 64, uma expressiva maioria de 63% — ou seja, 40,32% do total — querem mudar também de presidente. Repararam, ouvintes? A soma dos votos de Aécio e Campos, por enquanto, é de apenas 22 pontos percentuais. Mas nada menos de 40,32% dos que responderam à pesquisa revelaram que preferem Dilma fora da Presidência.
O que isso significa? Nem Aécio nem Campos encarnaram ainda o necessário espírito mudancista. E agora chego ao segundo fator que tira o sono de Dilma. O Ibope listou os  candidatos e quis saber, sobre cada um, se os eleitores votariam naquela pessoa com certeza, se poderiam fazê-lo, se não fariam isso de jeito nenhum ou se nem o conhecem. Os números são muito interessantes. A rejeição é praticamente a mesma para os três: 38% se recusam a votar em Dilma; 39%, em Campos, e 41% em Aécio.
Votam em Dilma com certeza 36% — um índice sem dúvida muito bom —; em Aécio, 11%, e em Campos, 5%. Até poderiam votar na petista 19%; em Aécio, 22%, e em Campos, 21%. Onde é que o bicho pega para Dilma? Só 7% não a conhecem ou não sabem quem é ela. Esse número chega a 27% com Aécio e a 35% com Campos.
Há um terceiro fator a ser considerado, que nada tem a ver com a pesquisa, mas com as circunstâncias. Dilma está todo dia na televisão; a oposição mal aparece. Quando começa a campanha, ainda que a petista vá ter um latifúndio no horário eleitoral, as condições da disputa ficam um pouco mais equilibradas.
Quando se considera que 40,32% das pessoas que responderam à pesquisa gostariam que Dilma deixasse a Presidência para que se pudesse ter um governo totalmente ou muito diferente desse e quando se verifica que mais ou menos um terço do eleitorado desconhece os candidatos da oposição, é evidente que se deve supor que muito dificilmente a presidente vencerá a disputa no primeiro turno.
Notem: 32% dizem querer um governo igual ou quase igual ao que aí está. Entre os 64% que querem mudanças, 27% — ou 17,28% do total — acham que elas poderiam ser feitas pela própria Dilma. Somando-se os dois grupos, chega-se a 49,28% — até superior ao desempenho de Dilma no segundo turno porque se deve supor que há pessoas que querem a continuidade, mas prefeririam outro petista — Lula, por exemplo.


No fim das contas, estes são os números que contam: os 40,32% que querem mudar tudo, inclusive Dilma, contra os 49,2% que ou não querem mudar nada ou aceitam mudanças, mas com a presidente. A diferença, como se vê, é muito menor do que se verifica na pesquisa de intenção de votos. Quando se constata que quase todo mudo conhece Dilma e que muita gente ainda desconhece seus opositores, o que parecia um cenário tranquilo para a petista esconde, na verdade, riscos nada desprezíveis.
Por Reinaldo Azevedo

Nenhum comentário

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

fcbarcelona.com

Une vidéo montre l'endoctrinement et la glorification de la violence dans une école civico-militaire de Curitiba.

Michel temer e denuncias de propina porto de santos