EUA miram a usina de Itaipu, se aproximam do Paraguai, enquanto o Brasil age com cautela militar na fronteira




Interesse norte-americano na maior hidrelétrica binacional do planeta reacende disputas energéticas, amplia tensões geopolíticas na América do Sul e leva o Brasil a reforçar a vigilância na fronteira com a Venezuela

Por Felipe Alves da Silva


09/01/2026 às 10:32






 









Em meio a um cenário de instabilidade crescente na América do Sul, uma nova movimentação diplomática envolvendo Estados Unidos, Paraguai e Brasil passou a preocupar autoridades e analistas internacionais. De acordo com O Globo, declarações recentes de representantes do governo norte-americano indicam um possível interesse direto dos EUA na usina hidrelétrica de Itaipu considerada um dos maiores ativos estratégicos de energia do mundo.

A informação foi divulgada por veículos internacionais e repercutida por analistas geopolíticos, segundo os quais Washington avalia ampliar sua presença energética no Paraguai justamente no momento em que o Brasil renegocia pontos sensíveis do Tratado de Itaipu. A possibilidade de mudança nesse equilíbrio histórico tem potencial para alterar profundamente a dinâmica regional.


Paralelamente, o governo brasileiro adotou uma postura de cautela e reforçou a segurança na fronteira norte, especialmente na divisa com a Venezuela, diante da instabilidade gerada por recentes ações militares dos Estados Unidos no país vizinho, como noticiado pelo Sociedade Militar.

Itaipu, energia estratégica e o interesse dos Estados Unidos

Localizada na fronteira entre Brasil e Paraguai, às margens do Rio Paraná, a usina hidrelétrica de Itaipu é uma das maiores obras de engenharia energética do planeta. Com capacidade instalada de 14.000 megawatts (MW), ela ocupa a segunda posição mundial, atrás apenas da hidrelétrica chinesa de Três Gargantas.

Desde sua inauguração, em 1984, Itaipu se tornou um pilar essencial da matriz energética regional. Atualmente, a usina é responsável por cerca de 10% do consumo elétrico do Brasil e aproximadamente 90% da energia consumida pelo Paraguai, evidenciando a interdependência estratégica entre os dois países.

No entanto, esse equilíbrio voltou ao centro do debate com a renegociação do chamado Anexo C do Tratado de Itaipu, que regula a comercialização da energia excedente produzida pela usina. Historicamente, o Brasil compra a cota paraguaia a preços previamente definidos, o que limita a capacidade do Paraguai de negociar essa energia a valores mais altos no mercado internacional.


Foi nesse contexto que, em maio de 2025, declarações do secretário de Estado norte-americano Marco Rubio chamaram atenção. Segundo ele, os Estados Unidos estariam dispostos a participar das discussões sobre o futuro da energia de Itaipu, abrindo espaço para uma eventual parceria direta com o Paraguai, o que poderia reduzir a influência brasileira no acordo.

Estratégia geopolítica, China e o papel do Paraguai

Especialistas avaliam que essa movimentação faz parte de uma estratégia mais ampla dos Estados Unidos para conter a influência chinesa na América do Sul, especialmente em setores considerados críticos, como energia e infraestrutura. Ao fortalecer alianças energéticas, Washington amplia sua presença política e econômica na região.

O Paraguai, por sua vez, demonstra interesse em maximizar receitas, vendendo sua parcela excedente de energia a preços mais competitivos no mercado internacional — algo que o atual acordo com o Brasil limita. Esse fator explica a disposição paraguaia em ampliar negociações e considerar novos parceiros estratégicos.


Apesar disso, Brasil e Paraguai retomaram as negociações bilaterais em dezembro de 2025, com encontros conduzidos pelos chanceleres Mauro Vieira, pelo Brasil, e Rubén Ramírez Lescano, pelo Paraguai. O objetivo oficial é preservar a soberania, garantir benefícios mútuos e manter Itaipu como símbolo de cooperação regional.


Ainda assim, a possível entrada dos Estados Unidos no tabuleiro adiciona incertezas. Analistas alertam que uma eventual perda de protagonismo brasileiro em Itaipu representaria não apenas um impacto econômico, mas também um revés geopolítico, ignorando décadas de investimentos brasileiros na construção, operação e manutenção da usina.

Brasil reforça fronteira com a Venezuela diante da instabilidade

Enquanto o debate energético avança, o governo brasileiro atua em outra frente sensível. Segundo o portal CNN Brasil, foi autorizado o emprego da Força Nacional de Segurança Pública na fronteira com a Venezuela, especificamente nos municípios de Boa Vista e Pacaraima, em Roraima, por um período inicial de 90 dias.

A decisão foi assinada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, e publicada no Diário Oficial da União. O objetivo é preservar a ordem pública e proteger a população local diante de riscos associados à instabilidade venezuelana.


Há preocupações de que milícias armadas ligadas ao regime de Nicolás Maduro, integrantes do crime organizado e cartéis de drogas tentem cruzar a fronteira brasileira em busca de refúgio, especialmente após a operação militar conduzida pelos Estados Unidos que resultou na captura de Maduro.

A região de Roraima já enfrenta desafios históricos relacionados à migração venezuelana, o que pressiona serviços públicos e infraestrutura. A Força Nacional atuará em apoio às forças estaduais, com foco em patrulhamento, monitoramento e ações humanitárias, enquanto o Exército Brasileiro mantém vigilância reforçada.

Autoridades brasileiras ressaltam que a mobilização é preventiva e planejada, sem intenção de escalada militar, mas reflete preocupações reais com o possível transbordamento da crise venezuelana para o território nacional.

Captura de Maduro e a ampliação da doutrina intervencionista dos EUA

A prisão de Nicolás Maduro marcou um ponto de inflexão nas relações hemisféricas. A operação, denominada “Resolução Absoluta”, foi descrita como a mais rápida da história a derrubar um ditador consolidado no poder por quase 13 anos, desde que Maduro assumiu a presidência em 2013, após a morte de Hugo Chávez.

A ação envolveu forças especiais dos Estados Unidos, ataques coordenados em Caracas, cerca de 100 mortes e a detenção de Maduro e de sua esposa. O presidente norte-americano Donald Trump justificou a intervenção como necessária para eliminar ameaças à segurança regional, embora a operação tenha provocado condenações internacionais e protestos em diversos países.

Desde então, Trump ampliou o escopo de sua retórica, sugerindo intervenções no México, fazendo ameaças a Cuba, citando possíveis ações contra a Colômbia, a Nicarágua e até países fora da América Latina, como o Irã, além de declarações controversas envolvendo a Groenlândia.

Essa postura reacende debates sobre a Doutrina Monroe, historicamente utilizada para justificar a influência e as intervenções dos Estados Unidos na região.

No caso da usina de Itaipu, esse contexto adiciona uma camada extra de complexidade. Caso o Brasil perca influência sobre o empreendimento, especialistas alertam para riscos à segurança energética, elevação de custos e maior dependência externa.

À medida que as negociações continuam, a região observa atentamente se esse cenário resultará em um novo ciclo de tensões geopolíticas ou em soluções diplomáticas capazes de preservar a soberania e a estabilidade regional.


https://www.sociedademilitar.com.br/2026/01/eua-miram-a-usina-de-itaipu-se-aproximam-do-paraguai-enquanto-o-brasil-age-com-cautela-militar-na-fronteira-fplv.html#goog_rewarded  


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Departamento de Estado dos EUA anunciou um acordo entre a empresa americana Crusoe e a paraguaia Araico para usar energia da usina de Itaipu em um projeto de inteligência artificial no Paraguai, considerado um dos maiores investimentos privados no país


https://www.itatiaia.com.br/mundo/acordo-eua-itaipu-inteligencia-artificial-paraguai/


USA - Paraguai-Itaipu binacional- datacenter-americalatina- Brasil

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