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"PSDB CHEIRA A
DERROTA"
8 DE MAIO DE 2014 ÀS 05:23
Vice na chapa de Eduardo Campos, a ex-senadora Marina Silva rompeu a trégua que havia entre PSB e PSDB; disse que os tucanos têm vocação para perder e criticou ainda a postura do senador Aécio Neves na CPI da Petrobras; "Queremos criar mecanismos de transparência e não ficar faturando, chafurdando na lama da corrupção"; sobre a presidente Dilma, ela também foi bastante crítica; situação atual, segundo ela, matou o mito da "gerentona"; Marina afirma ainda que só Campos pode impedir uma nova vitória do PT em 2014
8 DE MAIO DE 2014 ÀS 05:23
Lava uma mão, lava outra - Discovery Kids - Dettol
Por Aquiles Lins, do Tocantins 247 – A pré-candidata a vice-presidente da República na chapa de Eduardo Campos (PSB), Marina Silva esteve em Palmas nesta quarta-feira, 7, para participar de uma palestra a estudantes da Universidade Federal do Tocantins sobre Sustentabilidade. Em entrevista antes do evento, a ex-ministra de Meio Ambiente mirou artilharia de grosso calibre na direção da presidente Dilma Rousseff, do PT, e também do senador tucano Aécio Neves (PSDB-MG).
Segundo ela, Eduardo Campos é a única alternativa real de vitória contra o PT em 2014, porque o PSDB teria o "cheiro da derrota". "O PSDB sabe que já tem o cheiro da derrota no segundo turno. E o PT já aprendeu que a melhor forma de ganhar é contra o PSDB" (leia ainda a entrevista concedida por Marina ao jornalista Bernardo Mello Franco). A declaração, na prática, rompe a trégua que havia entre PSB e PSDB até agora. Em desvantagem em relação a Aécio nas pesquisas, Campos vem sendo pressionado por Marina a elevar o tom das críticas a Aécio.
Segundo Marina, Campos seria um nome à esquerda de Aécio. "Campos protagoniza uma agenda progressista de respeito aos direitos sociais, de não ir pelo caminho mais fácil de reduzir a maioridade penal e as conquistas dos trabalhadores."
Críticas a Dilma
No evento em Palmas, a ex-senadora também criticou a presidente Dilma Rousseff e disse que a CPI da Petrobras comprova que o "mito da gerente" não existe mais. “É insustentável achar que a corrupção é um problema da Dilma. A corrupção não é um problema da Dilma. A corrupção tem que ser um problema nosso. Se continuar a ser um problema da Dilma, vai continuar a ter corrupção feia. Na campanha de 2010, estabeleceu-se um embate entre o Serra e a Dilma para saber quem era o melhor gerente. Pelo que está acontecendo com a Petrobras, esse mito já foi embora”, disparou.
Marina afirmou que nas situações em que a sociedade se mobilizou – ela citou a escravidão, a ditadura, a inflação e a diminuição da pobreza, o país avançou. Mas criticou, sem citar nomes, o PSDB, DEM, e outros partidos de oposição pelo alardeio em cima da CPI da Petrobras no Senado. “Queremos criar mecanismos de transparência e não ficar faturando, chafurdando na lama da corrupção. E obviamente queremos investigação rigorosa de todos os casos que forem denunciados”, disse.
Risco de inflação
Sobre a queda da presidente nas últimas pesquisas, Marina Silva voltou a dar a Petrobras como exemplo de preocupação para o brasileiro sobre o governo Dilma. “A sociedade brasileira está preocupada com o que está acontecendo com o Brasil. Escândalos sucessivos, um completo distanciamento do que acontece em Brasília com a realidade das pessoas. Estamos com o risco da inflação, o crescimento baixo, aumento de juros e as pessoas sabem no que isso vai dar. Obviamente que se as pessoas disserem que isso está bom, referendando as pesquisas, só se nós gostássemos de apanhar. Eu vejo como a sabedoria do povo”, afirmou.
A fundadora do Rede Sustentabilidade é detentora de um cobiçado patrimônio político de cerca de 20 milhões de votos, que obteve nas eleições de 2010 como candidata a presidente. O problema é que até o momento, uma parcela muito pequena desse eleitorado está conseguindo se identificar com o candidato apoiado por ela. Setores do próprio PSB já começam a avaliar a possibilidade de ser Marina, e não Campos, a candidata do partido. Mas Marina não cogita a possibilidade, garante que só será candidata a vice e que o nome na disputa é o do ex-governador de Pernambuco.
COMENTÁRIOS
5 comentários em "Marina sepulta trégua: "PSDB cheira a derrota""
Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247
XÔ DUDU 8.05.2014 às 06:52
O que osmarina fez em relação a corrupção ? NADA ! só conversa fiada. osmarina cadê os projetos ? o homem forte de DUDU, foi pego na gravação da PULIÇA FEDERAX, pedindo dinheiro ao doleiro. osmarina se calou, não disse uma palavra sobre o assunto.
WILSON 8.05.2014 às 06:42
Viagra do psdb. Esta se materializando a profecia do Roberto Amaral.....KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
WILSON 8.05.2014 às 06:38
VIAGRA DO PSDB. QUE DISSE FOI O AMARAL.... SO DISSE QUE O PSB NAO IRIA SER... FOI
Eliel Miranda 8.05.2014 às 06:26
ESTE PACTO, FAZ AÉCIO PISAR NA CABEÇA DE EDUARDO CAMPOS E FAZER DA SUA CABEÇA, UMA ALAVANCA PARA SE CREDENCIAR Á DISPUTA NO 2 TURNO. ACORDO CARACÚ.
Paulo T 8.05.2014 às 05:49
Já havia comentado: "Pacto de não-agressão" Tucano esperto!!!, socialista(?) amador!!!
Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247
Uma semana após o primeiro turno da eleição presidencial, a candidata derrotada pelo PSB
Lava uma mão, lava outra - Discovery Kids - Dettol
, Marina Silva, declarou neste domingo, 12, em São Paulo, seu apoio a Aécio Neves (PSDB) no segundo turno. Em seu pronunciamento, Marina afirmou que "uma semana não é tempo longo tempo para tomada de decisão". "Alternância de poder fará bem ao Brasil", disse. "Aécio retoma o fio da meada virtuoso e corretamente manifesta-se na forma de um compromisso forte, a exemplo de Lula em 2002, que assumiu compromissos com a manutenção do Plano Real, abrindo diálogo com os setores produtivos."
Ao lado de seu candidato a vice-presidente, Beto Albuquerque (PSB), Marina disse que o documento divulgado ontem por Aécio é "carta-compromisso" com brasileiros. O candidato tucano anunciou no sábado, 11, no Recife quais compromissos propostos pela terceira colocada na disputa vai assumir neste segundo turno. Entram questões ambientais e indígenas, mas a principal divergência entre eles - a discussão sobre maioridade penal - ficou de fora.
"Doze anos depois, temos um passo adiante, uma segunda carta aos brasileiros", disse Marina.
"Rejeito a interpretação de que o documento seja dirigido a mim em busca de apoio", afirmou a ex-candidata. "Votarei em Aécio e o apoiarei, votando nesses compromissos, dando um crédito de confiança à sinceridade de propósitos do candidato e de seu partido e, principalmente, entregando à sociedade brasileira a tarefa de exigir que sejam cumpridos", acrescentou.
Antes de fazer o anúncio, Marina agradeceu "a Deus e ao povo brasileiro". Ela obteve 22.176.619 votos (ou 21,32% dos válidos) no primeiro turno e ficou em terceiro lugar, atrás de Dilma Rousseff (PT) e Aécio.
Leia a íntegra do texto lido por Marina:
"Ontem, em Recife, o candidato Aécio Neves apresentou o documento “Juntos pela Democracia, pela Inclusão Social e pelo Desenvolvimento Sustentável”.
Quero, de início, deixar claro que entendo esse documento como uma carta compromisso com os brasileiros, com a nação.
Rejeito qualquer interpretação de que seja dirigida a mim, em busca de apoio.
Seria um amesquinhamento dos propósitos manifestados por Aécio imaginar que eles se dirigem a uma pessoa e não aos cidadãos e cidadãs brasileiros.
E seria um equívoco absoluto e uma ofensa imaginar que me tomo por detentora de poderes que são do povo ou que poderia vir a ser individualmente destinatária de promessas ou compromissos.
Os compromissos explicitados e assinados por Aécio tem como única destinatária a nação e a ela deve ser dada satisfação sobre seu cumprimento.
E é apenas nessa condição que os avaliei para orientar minha posição neste segundo turno das eleições presidenciais.
Estamos vivendo nestas eleições uma experiência intensa dos desafios da política.
Para mim eles começaram há um ano, quando fiz com Eduardo Campos a aliança que nos trouxe até aqui.
Pela primeira vez, a coligação de partidos se dava exclusivamente por meio de um programa, colocando as soluções para o país acima dos interesses específicos de cada um.
Em curto espaço de tempo, e sofrendo os ataques destrutivos de uma política patrimonialista, atrasada e movida por projetos de poder pelo poder, mantivemos nosso rumo, amadurecemos, fizemos a nova política na prática.
Os partidos de nossa aliança tomaram suas decisões e as anunciaram.
Hoje estou diante de minha decisão como cidadã e como parte do debate que está estabelecido na sociedade brasileira.
Me posicionarei.
Prefiro ser criticada lutando por aquilo que acredito ser o melhor para o Brasil, do que me tornar prisioneira do labirinto da defesa do meu interesse próprio, onde todos os caminhos e portas que percorresse e passasse, só me levariam ao abismo de meus interesses pessoais.
A política para mim não pode ser apenas, como diz Bauman, a arte de prometer as mesmas coisas.
Parodiando-o, eu digo que não pode ser a arte de fazer as mesmas coisas.
Ou seja, as velhas alianças pragmáticas, desqualificadas, sem o suporte de um programa a partir do qual dialogar com a nação.
Vejo no documento assinado por Aécio mais um elo no encadeamento de momentos históricos que fizeram bem ao Brasil e construíram a plataforma sobre a qual nos erguemos nas últimas décadas.
Ao final da presidência de Fernando Henrique Cardoso, a sociedade brasileira demonstrou que queria a alternância de poder, mas não a perda da estabilidade econômica.
E isso foi inequivocamente acatado pelo então candidato da oposição, Lula, num reconhecimento do mérito de seu antecessor e de que precisaria dessas conquistas para levar adiante o seu projeto de governo.
Agora, novamente, temos um momento em que a alternância de poder fará bem ao Brasil, e o que precisa ser reafirmado é o caminho dos avanços sociais, mas com gestão competente do Estado e com estabilidade econômica, agora abalada com a volta da inflação e a insegurança trazida pelo desmantelamento de importantes instituições públicas.
Aécio retoma o fio da meada virtuoso e corretamente manifesta-se na forma de um compromisso forte, a exemplo de Lula em 2002, que assumiu compromissos com a manutenção do Plano Real, abrindo diálogo com os setores produtivos.
Doze anos depois, temos um passo adiante, uma segunda carta aos brasileiros, intitulada: “Juntos pela democracia, a inclusão social e o desenvolvimento sustentável”.
Destaco os compromissos que me parecem cruciais na carta de Aécio:
O respeito aos valores democráticos, a ampliação dos espaços de exercício da democracia e o resgate das instituições de Estado.
A valorização da diversidade sociocultural brasileira e o combate a toda forma de discriminação.
A reforma política, a começar pelo fim da reeleição para cargos executivos, que tem sido fonte de corrupção e mau uso das instituições de Estado.
Sermos capazes de entender que, no mundo atual, a ampliação da participação popular no processo deliberativo, através da utilização das redes sociais, de conselhos e das audiências públicas sobre temas importantes, não se choca com os princípios da democracia representativa, que têm que ser preservados.
Compromissos sociais avançados com a Educação, a Saúde, a Reforma Agrária.[
Prevenção frente a vulnerabilidade da juventude, rejeitando a prevalência da ótica da punição.
Lei para o Bolsa Família, transformando-o em programa de Estado
AÉCIO NEVES CRITICA "LENIÊNCIA" DE DILMA COM INFLAÇÃO E PEDE AUTONOMIA DO BC
ECONOMIA A inflação é de 5.500% por ano12 de janeiro de 1994 Se o país não se acertar, esta será a taxa de 1994 com a alta de preços de 40% ao mês O Brasil entrou novamente em ebulição inflacionária e, se alguém ainda não está preocupado com isso, é bom ligar o alarme. Enquanto o ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, negociava no Congresso seu programa de estabilização da economia, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo, Fipe, divulgou na semana passada a inflação de dezembro. Deu 38,52%. Para o mês de janeiro, a Fipe projeta uma taxa de 40%. Pode ser apenas o começo. O consultor Cláudio Contador, do Rio de Janeiro, um analista de cenários econômicos, acredita que a taxa mensal pode bater em 50% se o Ministério da Fazenda conseguir fazer apenas uma parte do que pretende. Se as negociações com o Congresso fracassarem completamente, acha Contador, o índice chega a 100% ao mês ainda no primeiro semestre. "Ainda não estamos na hiperinflação", tranqüiliza o ex-ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Velloso. "Se o país não se mexer enquanto há tempo, pode marchar para o abismo", adverte. Na interpretação do governo, a inflação está subindo justamente porque o Ministério da Fazenda está se mexendo. Eis o raciocínio: 1. Os empresários estão usando as medidas em discussão no Congresso como desculpa para os aumentos exagerados de preços. 2. A indústria e o comércio já haviam aumentado os preços por conta do IPMF, em agosto passado. Esqueceram-se de baixá-los quando a Justiça proibiu a cobrança do imposto em 1993. Agora que vai mesmo entrar em vigor, o IPMF serve de justificativa para novos aumentos. 3. O comércio e a indústria estão carregando nos reajustes para esperar a chegada da unidade real de valor, URV, com os preços o mais alto possível. "Elite estúpida", reagiu o ministro Fernando Henrique Cardoso diante de um assessor na semana passada. "Desse jeito, eles estão querendo é um congelamento de preços." Na quinta-feira passada, o ministro telefonou ao presidente da Câmara, deputado Inocêncio Oliveira, do PFL de Pernambuco, para pedir mais pressa na tramitação do pacote econômico. No telefonema, Fernando Henrique chegou a defender a prisão dos empresários que estão especulando com os preços. "Cadeia neles", propôs. "CURVA PERIGOSA" - Há realmente um exagero de apetite por parte de alguns empresários. Os preços de alguns alimentos tiveram aumentos inexplicáveis em dezembro: ovos, 56%; frango, 52%; açúcar, 51%; óleo de soja, 48%. Existe também um pouco de ganância e um clima de preocupação gerado pelo próprio governo. A falta de clareza na apresentação de alguns pontos importantes do programa econômico contribuiu para agitar a praça. Da URV, por exemplo, sabe-se apenas que será o indexador da economia e subirá conforme a elevação do preço do dólar. Quanto ao Orçamento, ele é um caixote obscuro. O governo afirma que está cortando despesas como nunca, mas as despesas na verdade aumentaram em relação a 1993. De um lado, a Receita Federal vive se gabando de aumentos brutais na arrecadação e de outro, a Fazenda pede aumento de impostos. Mas o plano FHC2 é o melhor que se poderia ter feito nas circunstâncias atuais. Melhor ainda: todas as suas medidas, ao contrário dos cinco congelamentos autoritários dos governos Sarney e Collor, foram demoradamente discutidas com a sociedade. Mas ainda não é o bastante. Inflação de 40% ao mês é igual a inflação de 5.500% ao ano. Não há país que funcione normalmente assim. E se a coisa andar mais 10 ou 20 pontos, pulando para os 60% de inflação ao mês, então o Brasil terá cruzado a barreira da desordem, com uma taxa anual de quase 30.000%. "Ainda não chegamos ao desfiladeiro, mas estamos numa curva perigosa muito próxima dele", aponta o professor Mario Henrique Simonsen. A verdade é essa: na incerteza, todo mundo remarca os preços. Não há como evitar nem polícia resolve, como ficou claro nos congelamentos. Felizmente, os analistas só acreditam numa hiperinflação se o governo errar em todas as tentativas de ajuste. A maioria dos economistas não vê chances de uma explosão inflacionária se Brasília souber administrar alguns triunfos que adquiriu recentemente e outros que já fazem parte da tradição inflacionária. O mais importante são as reservas cambiais, de 30 bilhões de dólares. Elas podem ser usadas para abafar movimentos especulativos no mercado financeiro. Outro é a organização da contabilidade pública. Hoje, o governo sabe exatamente de quanto dinheiro precisa e faz emissões de moeda com mais segurança. Finalmente, existe a indexação. O mercado financeiro oferece proteção ao dinheiro e impede que as pessoas corram desordenadamente para trocar o salário por mercadorias e por moeda estrangeira no dia do pagamento. A falta de confiança na moeda é o maior sintoma da híper. O brasileiro, que não confia no cruzeiro real, ainda acredita no cruzeiro real indexado. Isso evita a explosão, mas não o problema. Mesmo que a taxa da inflação fique perto dos 40% nos próximos meses, esse índice já é suficiente para produzir uma desorganização monumental na economia. O presidente Itamar Franco assumiu em outubro de 1992 com uma inflação de 25% ao mês. Marcílio Marques Moreira, quem diria, deixou saudade. Apesar do salto da taxa durante o governo Itamar, pouca coisa parece ter mudado na superfície do país nesses catorze meses. As fábricas continuam funcionando e as lojas vendendo. As pessoas vão às compras. O clima é de que não existe nada de grave no ar. Pura impressão. "A inflação provoca uma espécie de embriaguez na economia", compara o economista Dionísio Cerqueira, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. "O efeito da primeira dose é forte, mas ninguém percebe que fica mais bêbado quando passa do quinto para o sexto uísque. O organismo, no entanto, fica cada vez mais intoxicado." O Brasil sofre desse mal: não percebe quanto está envenenado. Tanto que ninguém parece estar encarando o combate à inflação como uma necessidade dramática. REMARCAÇÕES DESORDENADAS - O fígado da economia está hipersensível. Ao primeiro sinal da alta nas taxas inicia-se um movimento frenético. Os empresários buscam as soluções primeiro. Na semana passada, a General Motors anunciou que pretende seguir a Fiat na política de reajustes diários dos preços da maioria de seus automóveis. Esse é apenas um sintoma. Nas firmas menores, as tabelas são remarcadas desordenadamente e deixam de refletir o valor que um empresário gastou para produzir sua mercadoria. Isso já começou a acontecer. O empresário Cláudio Colucci, dono de uma indústria de roupas infantis que emprega 150 pessoas no Paraná e em Santa Catarina, costumava virar sua tabela de preços no final de cada mês depois de calcular o aumento do custo do pano, da linha e dos salários das costureiras. Em janeiro, resolveu mudar de tática. Aumentou suas mercadorias em 30% logo na primeira semana do mês. "Resolvi me antecipar aos meus fornecedores", explica com naturalidade. A impressão é de que o empresário sempre ganha com esse tipo de prática. Impressão falsa. "Quando todo mundo perde a noção do preço, o risco cresce para nós", diz o fabricante dos brinquedos Elka, Emerson Kapaz. "Se eu remarco minha mercadoria abaixo da inflação, tenho prejuízo. Se aumento muito, perco freguesia e tenho prejuízo do mesmo jeito." Bem, isso em tese. Há muitos e muitos anos a elite brasileira enche a mala de dinheiro com a ajuda da inflação. Quando, porém, a espiral dos preços passa de determinado patamar, as relações de produção e comércio se desorganizam e todos perdem. O prejuízo de verdade fica para os de sempre. Desnecessário dizer quem são eles. Conforme um cálculo do professor Carlos Luque, diretor de pesquisas da Fipe, o salário perde um terço de seu valor durante o mês numa inflação de 40%. E a coisa vai se dramatizando na medida em que os preços sobem mais. A dramatização, em certos casos, acaba em baderna, como ocorreu tantas vezes em tantos países. Pelo movimento dos juros bancários na semana passada, chegou-se ao limiar desse momento. Na última semana, os juros enlouqueceram. Na quarta-feira, os bancos ofereciam até 53% ao mês pelas aplicações em CDB aos donos de grandes boladas. O cliente com saldo negativo no cheque espcial pagava juros mensais de 58% - 18% acima da inflação. As taxas pedidas pelos bancos para rolar os papagaios oficiais chegaram a 25% reais ao ano. Correu um frio pela espinha da Esplanada dos Ministérios. Para quem acha que essa flutuação de juros no mercado financeiro é um movimento meramente especulativo e abstrato, basta olhar o mundo concreto com atenção para ver que a desorganização está por toda parte. Na semana passada, 15 toneladas de moedas foram vendidas como sucata porque não valiam mais nada e acabaram derretidas no forno da Acesita, em Minas Gerais. PADRÃO DO CONTINENTE - Com os seus 2.600% de inflação ao ano, o Brasil alinhou-se a um time de brutos. Em matéria inflacionária, está ao lado da Sérvia, um país destruído pela guerra civil, e da Ucrânia, a antiga república soviética cuja economia voltou ao sistema de escambo porque a moeda desapareceu. O Brasil também ficou sozinho em seu próprio território, a América Latina. Os países latino-americanos com maior poder econômico, como o México, a Argentina e o Chile, fecharam o ano de 1993 com inflação abaixo de dois dígitos. A inflação mexicana é a mais baixa em vinte anos. A marca argentina, de 7%, é a melhor dos últimos trinta anos. Fica a impressão de que o Brasil se descolou do padrão do continente para se transformar numa aberração sem conserto possível. Os números brasileiros são uma aberração, não há dúvida, mas sua economia tem conserto. Países que hoje ostentam inflação moderada e crescimento econômico razoável passaram, é bom lembrar, por problemas piores que os do Brasil. A Argentina, atualmente muito orgulhosa de ssua estabilidade, beijou a híper em 1989 e enfrentou uma estagnação em sua economia que durou vinte anos. O México, hoje muito orgulhoso de formar um mercado comum com os Estados Unidos e o Canadá, parou em 1981, ano em que os juros internacionais explodiram. Ficou sem dinheiro e sem crédito para abastecer sua indústria de matéria-prima. Em momentos diferentes, esses países passaram por ajustes econômicos com graus variados de dor e se salvaram da rotina da inflação. Assentada em terreno estável, a maioria deles está crescendo ano após ano. É o prêmio pelo sacrifício de cortar o déficit público, privatizar estatais, melhorar o sistema tributário e abrir sua fronteira ao mercado mundial. O Brasil até agora se recusou a enfrentar o desconforto do ajuste, e o resultado é que brinca há vários anos com a bola da hiperinflação. Mais do que isso. Por não reformar o Estado nem estabilizar a sua moeda, desde o início da década de 80 o país anda de lado. O seu produto interno bruto, PIB, cresce num ano para cair no outro. Cresce por acaso, aos tropeços, Em 1993, o PIB subiu 4,5%. É um belo resultado para um país com uma superinflação e um governo sem rumo, mas é duvidoso que ele se repita em 1994. "É quase impossível que o país cresça nesse ambiente", diz o empresário e economista Roberto Teixeira da Costa, um especialista em questões latino-americanas. SACRIFÍCIO - O brasileiro comum odeia a inflação há muito tempo e as vítimas do monstro estão por toda parte. O funcionário público mineiro Wellington Campos Coutinho passou três anos pagando as prestações de uma sala que pretendia dar de presente ao filho, que estuda economia. Quando começou a pagar as parcelas, a inflação consumia 10% de seu salário. Este mês, Coutinho desistiu: a prestação consumiria metade dos 650.000 cruzeiros reais que ganha como fiscal federal. "Tive que desfazer o negócio", reclama. O Brasil, um país com 150 milhões de vítimas da inflação, amadureceu bastante na maneira de encarar o dragão. A maioria das pessoas concorda que não há chance de estabilizar a economia se os cofres públicos continuarem furados. O que falta é alguma unidade, entre políticos, empresários e chefes sindicais, sobre a forma de distribuir o sacrifício implícito num programa sério de ajuste. É esse problema político que está impedindo a batalha final contra o monstro inflacionário. Não há no Brasil de hoje forças políticas capazes de impor uma linha de ação contínua aos demais atores sociais. Cada grupo quer uma coisa e não se vai para lado algum. Todo mundo parece ter alguma coisa contra o ajuste. As corporações de funcionários se opõem à privatização das estatais com receio de perder seus privilégios, que são maiores do que se imagina. Na semana passada, a Secretaria de Administração Federal divulgou um relatório com os salários nas estatais. Há gente ganhando 19.000 dólares por mês no Instituto de Resseguros do Brasil, empréstimos sem juros nem correção aos empregados da Telebrás e funcionários dos escritórios da Petrobrás, no centro do Rio de Janeiro, ganhando adicional de periculosidade. Os usineiros do Nordeste não querem perder subsídios. Os empresários ameaçam aumentar seus preços toda vez que se sentem ameaçados com mais impostos. Estados e municípios querem continuar comendo a mesma fatia da torta federal. Há duas razões para isso. A primeira é a resistência ao sacrifício. A segunda é a desconfiança quanto aos que querem os cortes - neste momento, Fernando Henrique e sua equipe. Para efeito de ajuste, o Brasil está funcionando como uma família de egoístas. O salário do chefe não cobre o gasto e todos sabem que é preciso cortar alguma coisa para que a casa não caia. Mas a mulher não abre mão do perfume, a filha adolescente não dispensa o curso de balé e o menino quer de qualquer jeito um skate novo no aniversário. Assim não dá.
Compromissos socioambientais de desmatamento zero, políticas corretas de Unidades de Conservação, trato adequado da questão energética, com diversificação de fontes e geração distribuída.
Inédita determinação de preparar o país para enfrentar as mudanças climáticas e fazer a transição para uma economia de baixo carbono, assumindo protagonismo global nessa área.
Manutenção das conquistas e compromisso de assegurar os direitos indígenas, de comunidades quilombolas e outras populações tradicionais. Manutenção da prerrogativa do Poder Executivo na demarcação de Terras indígenas
Compromissos com as bases constitucionais da federação, fortalecendo estados e municípios e colocando o desenvolvimento regional como eixo central da discussão do Pacto Federativo.
Finalmente, destaco e apoio o apelo à união do Brasil e à busca de consenso para construir uma sociedade mais justa, democrática, decente e sustentável.
Entendo que os compromissos assumidos por Aécio são a base sobre a qual o pais pode dialogar de maneira saudável sobre seu presente e seu futuro.
É preciso, e faço um apelo enfático nesse sentido, que saiamos do território da política destrutiva para conseguir ver com clareza os temas estratégicos para o desenvolvimento do país e com tranqüilidade para debatê-los tendo como horizonte o bem comum.
Não podemos mais continuar apostando no ódio, na calúnia e na desconstrução de pessoas e propostas apenas pela disputa de poder que dividem o Brasil.
O preço a pagar por isso é muito caro: é a estagnação do Brasil, com a retirada da ética das relações políticas.
É a substituição da diversidade pelo estigma, é a substituição da identidade nacional pela identidade partidária raivosa e vingativa.
É ferir de morte a democracia.
Chegou o momento de interromper esse caminho suicida e apostar, mais uma vez, na alternância de poder sob a batuta da sociedade, dos interesses do pais e do bem comum.
É com esse sentimento que, tendo em vista os compromissos assumidos por Aécio Neves, declaro meu voto e meu apoio neste segundo turno.
Votarei em Aécio e o apoiarei, votando nesses compromissos, dando um crédito de confiança à sinceridade de propósitos do candidato e de seu partido e, principalmente, entregando à sociedade brasileira a tarefa de exigir que sejam cumpridos.
Faço esta declaração como cidadã brasileira independente que continuará livre e coerentemente, suas lutas e batalhas no caminho que escolheu.
Não estou com isso fazendo nenhum acordo ou aliança para governar.
O que me move é minha consciência e assumo a responsabilidade pelas minhas escolhas."
MAIS DE BRASIL
LOBBY MIDIA BRASILEIRA
DEFINIÇÕES DA WEB
Lobby é o nome que se dá à atividade de pressão, ostensiva ou velada, de um grupo organizado com o objetivo de interferir diretamente nas decisões do poder público, em especial do Poder Legislativo, em favor de causas ou objetivos defendidos pelo grupo.
"PSDB CHEIRA A
DERROTA"
8 DE MAIO DE 2014 ÀS 05:23
Lava uma mão, lava outra - Discovery Kids - Dettol
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dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247
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marina silva - O que me move é minha consciência e assumo a responsabilidade pelas minhas escolhas."
Marina anuncia apoio a Aécio
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Brasil com fhc e psdb na inflação á 5500% ao ano
psdb e excelentissimo governador de são paulo geraldo alckmin nas eleições 2014
AÉCIO NEVES CRITICA "LENIÊNCIA" DE DILMA COM INFLAÇÃO E PEDE AUTONOMIA DO BC
A inflação é de 5.500% por ano12 de janeiro de 1994
Se o país não se acertar, esta será a taxa de 1994 com a alta de preços de 40% ao mês
O Brasil entrou novamente em ebulição inflacionária e, se alguém ainda não está preocupado com isso, é bom ligar o alarme. Enquanto o ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, negociava no Congresso seu programa de estabilização da economia, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo, Fipe, divulgou na semana passada a inflação de dezembro. Deu 38,52%. Para o mês de janeiro, a Fipe projeta uma taxa de 40%. Pode ser apenas o começo. O consultor Cláudio Contador, do Rio de Janeiro, um analista de cenários econômicos, acredita que a taxa mensal pode bater em 50% se o Ministério da Fazenda conseguir fazer apenas uma parte do que pretende. Se as negociações com o Congresso fracassarem completamente, acha Contador, o índice chega a 100% ao mês ainda no primeiro semestre. "Ainda não estamos na hiperinflação", tranqüiliza o ex-ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Velloso. "Se o país não se mexer enquanto há tempo, pode marchar para o abismo", adverte.
Na interpretação do governo, a inflação está subindo justamente porque o Ministério da Fazenda está se mexendo. Eis o raciocínio:
1. Os empresários estão usando as medidas em discussão no Congresso como desculpa para os aumentos exagerados de preços.
2. A indústria e o comércio já haviam aumentado os preços por conta do IPMF, em agosto passado. Esqueceram-se de baixá-los quando a Justiça proibiu a cobrança do imposto em 1993. Agora que vai mesmo entrar em vigor, o IPMF serve de justificativa para novos aumentos.
3. O comércio e a indústria estão carregando nos reajustes para esperar a chegada da unidade real de valor, URV, com os preços o mais alto possível.
"Elite estúpida", reagiu o ministro Fernando Henrique Cardoso diante de um assessor na semana passada. "Desse jeito, eles estão querendo é um congelamento de preços." Na quinta-feira passada, o ministro telefonou ao presidente da Câmara, deputado Inocêncio Oliveira, do PFL de Pernambuco, para pedir mais pressa na tramitação do pacote econômico. No telefonema, Fernando Henrique chegou a defender a prisão dos empresários que estão especulando com os preços. "Cadeia neles", propôs.
"CURVA PERIGOSA" - Há realmente um exagero de apetite por parte de alguns empresários. Os preços de alguns alimentos tiveram aumentos inexplicáveis em dezembro: ovos, 56%; frango, 52%; açúcar, 51%; óleo de soja, 48%. Existe também um pouco de ganância e um clima de preocupação gerado pelo próprio governo. A falta de clareza na apresentação de alguns pontos importantes do programa econômico contribuiu para agitar a praça. Da URV, por exemplo, sabe-se apenas que será o indexador da economia e subirá conforme a elevação do preço do dólar.
Quanto ao Orçamento, ele é um caixote obscuro. O governo afirma que está cortando despesas como nunca, mas as despesas na verdade aumentaram em relação a 1993. De um lado, a Receita Federal vive se gabando de aumentos brutais na arrecadação e de outro, a Fazenda pede aumento de impostos. Mas o plano FHC2 é o melhor que se poderia ter feito nas circunstâncias atuais. Melhor ainda: todas as suas medidas, ao contrário dos cinco congelamentos autoritários dos governos Sarney e Collor, foram demoradamente discutidas com a sociedade. Mas ainda não é o bastante. Inflação de 40% ao mês é igual a inflação de 5.500% ao ano. Não há país que funcione normalmente assim. E se a coisa andar mais 10 ou 20 pontos, pulando para os 60% de inflação ao mês, então o Brasil terá cruzado a barreira da desordem, com uma taxa anual de quase 30.000%. "Ainda não chegamos ao desfiladeiro, mas estamos numa curva perigosa muito próxima dele", aponta o professor Mario Henrique Simonsen. A verdade é essa: na incerteza, todo mundo remarca os preços. Não há como evitar nem polícia resolve, como ficou claro nos congelamentos.
Felizmente, os analistas só acreditam numa hiperinflação se o governo errar em todas as tentativas de ajuste. A maioria dos economistas não vê chances de uma explosão inflacionária se Brasília souber administrar alguns triunfos que adquiriu recentemente e outros que já fazem parte da tradição inflacionária. O mais importante são as reservas cambiais, de 30 bilhões de dólares. Elas podem ser usadas para abafar movimentos especulativos no mercado financeiro. Outro é a organização da contabilidade pública. Hoje, o governo sabe exatamente de quanto dinheiro precisa e faz emissões de moeda com mais segurança. Finalmente, existe a indexação. O mercado financeiro oferece proteção ao dinheiro e impede que as pessoas corram desordenadamente para trocar o salário por mercadorias e por moeda estrangeira no dia do pagamento. A falta de confiança na moeda é o maior sintoma da híper. O brasileiro, que não confia no cruzeiro real, ainda acredita no cruzeiro real indexado. Isso evita a explosão, mas não o problema. Mesmo que a taxa da inflação fique perto dos 40% nos próximos meses, esse índice já é suficiente para produzir uma desorganização monumental na economia.
O presidente Itamar Franco assumiu em outubro de 1992 com uma inflação de 25% ao mês. Marcílio Marques Moreira, quem diria, deixou saudade. Apesar do salto da taxa durante o governo Itamar, pouca coisa parece ter mudado na superfície do país nesses catorze meses. As fábricas continuam funcionando e as lojas vendendo. As pessoas vão às compras. O clima é de que não existe nada de grave no ar. Pura impressão. "A inflação provoca uma espécie de embriaguez na economia", compara o economista Dionísio Cerqueira, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. "O efeito da primeira dose é forte, mas ninguém percebe que fica mais bêbado quando passa do quinto para o sexto uísque. O organismo, no entanto, fica cada vez mais intoxicado." O Brasil sofre desse mal: não percebe quanto está envenenado. Tanto que ninguém parece estar encarando o combate à inflação como uma necessidade dramática.
REMARCAÇÕES DESORDENADAS - O fígado da economia está hipersensível. Ao primeiro sinal da alta nas taxas inicia-se um movimento frenético. Os empresários buscam as soluções primeiro. Na semana passada, a General Motors anunciou que pretende seguir a Fiat na política de reajustes diários dos preços da maioria de seus automóveis. Esse é apenas um sintoma. Nas firmas menores, as tabelas são remarcadas desordenadamente e deixam de refletir o valor que um empresário gastou para produzir sua mercadoria. Isso já começou a acontecer.
O empresário Cláudio Colucci, dono de uma indústria de roupas infantis que emprega 150 pessoas no Paraná e em Santa Catarina, costumava virar sua tabela de preços no final de cada mês depois de calcular o aumento do custo do pano, da linha e dos salários das costureiras. Em janeiro, resolveu mudar de tática. Aumentou suas mercadorias em 30% logo na primeira semana do mês. "Resolvi me antecipar aos meus fornecedores", explica com naturalidade. A impressão é de que o empresário sempre ganha com esse tipo de prática. Impressão falsa. "Quando todo mundo perde a noção do preço, o risco cresce para nós", diz o fabricante dos brinquedos Elka, Emerson Kapaz. "Se eu remarco minha mercadoria abaixo da inflação, tenho prejuízo. Se aumento muito, perco freguesia e tenho prejuízo do mesmo jeito." Bem, isso em tese. Há muitos e muitos anos a elite brasileira enche a mala de dinheiro com a ajuda da inflação. Quando, porém, a espiral dos preços passa de determinado patamar, as relações de produção e comércio se desorganizam e todos perdem.
O prejuízo de verdade fica para os de sempre. Desnecessário dizer quem são eles. Conforme um cálculo do professor Carlos Luque, diretor de pesquisas da Fipe, o salário perde um terço de seu valor durante o mês numa inflação de 40%. E a coisa vai se dramatizando na medida em que os preços sobem mais. A dramatização, em certos casos, acaba em baderna, como ocorreu tantas vezes em tantos países.
Pelo movimento dos juros bancários na semana passada, chegou-se ao limiar desse momento. Na última semana, os juros enlouqueceram. Na quarta-feira, os bancos ofereciam até 53% ao mês pelas aplicações em CDB aos donos de grandes boladas. O cliente com saldo negativo no cheque espcial pagava juros mensais de 58% - 18% acima da inflação. As taxas pedidas pelos bancos para rolar os papagaios oficiais chegaram a 25% reais ao ano. Correu um frio pela espinha da Esplanada dos Ministérios. Para quem acha que essa flutuação de juros no mercado financeiro é um movimento meramente especulativo e abstrato, basta olhar o mundo concreto com atenção para ver que a desorganização está por toda parte. Na semana passada, 15 toneladas de moedas foram vendidas como sucata porque não valiam mais nada e acabaram derretidas no forno da Acesita, em Minas Gerais.
PADRÃO DO CONTINENTE - Com os seus 2.600% de inflação ao ano, o Brasil alinhou-se a um time de brutos. Em matéria inflacionária, está ao lado da Sérvia, um país destruído pela guerra civil, e da Ucrânia, a antiga república soviética cuja economia voltou ao sistema de escambo porque a moeda desapareceu. O Brasil também ficou sozinho em seu próprio território, a América Latina. Os países latino-americanos com maior poder econômico, como o México, a Argentina e o Chile, fecharam o ano de 1993 com inflação abaixo de dois dígitos. A inflação mexicana é a mais baixa em vinte anos. A marca argentina, de 7%, é a melhor dos últimos trinta anos.
Fica a impressão de que o Brasil se descolou do padrão do continente para se transformar numa aberração sem conserto possível. Os números brasileiros são uma aberração, não há dúvida, mas sua economia tem conserto. Países que hoje ostentam inflação moderada e crescimento econômico razoável passaram, é bom lembrar, por problemas piores que os do Brasil. A Argentina, atualmente muito orgulhosa de ssua estabilidade, beijou a híper em 1989 e enfrentou uma estagnação em sua economia que durou vinte anos. O México, hoje muito orgulhoso de formar um mercado comum com os Estados Unidos e o Canadá, parou em 1981, ano em que os juros internacionais explodiram. Ficou sem dinheiro e sem crédito para abastecer sua indústria de matéria-prima.
Em momentos diferentes, esses países passaram por ajustes econômicos com graus variados de dor e se salvaram da rotina da inflação. Assentada em terreno estável, a maioria deles está crescendo ano após ano. É o prêmio pelo sacrifício de cortar o déficit público, privatizar estatais, melhorar o sistema tributário e abrir sua fronteira ao mercado mundial.
O Brasil até agora se recusou a enfrentar o desconforto do ajuste, e o resultado é que brinca há vários anos com a bola da hiperinflação. Mais do que isso. Por não reformar o Estado nem estabilizar a sua moeda, desde o início da década de 80 o país anda de lado. O seu produto interno bruto, PIB, cresce num ano para cair no outro. Cresce por acaso, aos tropeços, Em 1993, o PIB subiu 4,5%. É um belo resultado para um país com uma superinflação e um governo sem rumo, mas é duvidoso que ele se repita em 1994. "É quase impossível que o país cresça nesse ambiente", diz o empresário e economista Roberto Teixeira da Costa, um especialista em questões latino-americanas.
SACRIFÍCIO - O brasileiro comum odeia a inflação há muito tempo e as vítimas do monstro estão por toda parte. O funcionário público mineiro Wellington Campos Coutinho passou três anos pagando as prestações de uma sala que pretendia dar de presente ao filho, que estuda economia. Quando começou a pagar as parcelas, a inflação consumia 10% de seu salário. Este mês, Coutinho desistiu: a prestação consumiria metade dos 650.000 cruzeiros reais que ganha como fiscal federal. "Tive que desfazer o negócio", reclama.
O Brasil, um país com 150 milhões de vítimas da inflação, amadureceu bastante na maneira de encarar o dragão. A maioria das pessoas concorda que não há chance de estabilizar a economia se os cofres públicos continuarem furados. O que falta é alguma unidade, entre políticos, empresários e chefes sindicais, sobre a forma de distribuir o sacrifício implícito num programa sério de ajuste. É esse problema político que está impedindo a batalha final contra o monstro inflacionário. Não há no Brasil de hoje forças políticas capazes de impor uma linha de ação contínua aos demais atores sociais. Cada grupo quer uma coisa e não se vai para lado algum.
Todo mundo parece ter alguma coisa contra o ajuste. As corporações de funcionários se opõem à privatização das estatais com receio de perder seus privilégios, que são maiores do que se imagina. Na semana passada, a Secretaria de Administração Federal divulgou um relatório com os salários nas estatais. Há gente ganhando 19.000 dólares por mês no Instituto de Resseguros do Brasil, empréstimos sem juros nem correção aos empregados da Telebrás e funcionários dos escritórios da Petrobrás, no centro do Rio de Janeiro, ganhando adicional de periculosidade. Os usineiros do Nordeste não querem perder subsídios. Os empresários ameaçam aumentar seus preços toda vez que se sentem ameaçados com mais impostos. Estados e municípios querem continuar comendo a mesma fatia da torta federal. Há duas razões para isso. A primeira é a resistência ao sacrifício. A segunda é a desconfiança quanto aos que querem os cortes - neste momento, Fernando Henrique e sua equipe.
Para efeito de ajuste, o Brasil está funcionando como uma família de egoístas. O salário do chefe não cobre o gasto e todos sabem que é preciso cortar alguma coisa para que a casa não caia. Mas a mulher não abre mão do perfume, a filha adolescente não dispensa o curso de balé e o menino quer de qualquer jeito um skate novo no aniversário. Assim não dá.